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Dólar, SWIFT, sanções econômicas e inflação

O Acordo de Bretton Woods, firmado após o término da Segunda Guerra Mundial, estabeleceu as bases do sistema financeiro internacional do pós-guerra. Os Estados Unidos detinham a maior reserva de ouro do mundo e possuíam o parque industrial mais desenvolvido, uma vez que foram a única grande potência a sair do conflito sem destruição em seu território. A conversibilidade do dólar americano em ouro conferiu à moeda norte-americana o papel de principal reserva internacional e de referência para as transações comerciais mundiais. Dessa forma, o dólar transformou-se em um poderoso instrumento de dominação financeira. Com a criação do sistema internacional de liquidação de pagamentos, posteriormente operacionalizado pelo SWIFT, grande parte das transações internacionais passou a depender, direta ou indiretamente, da moeda norte-americana. Isso permitiu aos Estados Unidos utilizar sanções econômicas como instrumento de política externa contra governos, empresas e indivíduos considerados contr...

KARAGANOV ESTABELECE LINHAS VERMELHAS

A guerra na Ucrânia não está se desenvolvendo como Washington esperava. A razão pela qual quase ninguém menciona esse fato decorre do aprisionamento de analistas, jornalistas e membros do aparato político em uma narrativa oficial que os impede de informar com a devida objetividade. Quando se vive sob o domínio de uma narrativa, o ato mais perigoso consiste em questioná-la, sob o risco de perda de acesso, de credibilidade e de convites aos círculos decisórios. Desse modo, o relato oficial se perpetua enquanto se amplia o abismo entre os acontecimentos reais e o que é reportado, até que a realidade inevitavelmente se imponha. Quando a realidade finalmente emerge, raramente o faz de forma suave. O objetivo desta análise é reduzir essa distância e examinar a conjuntura factual em solo ucraniano. Cumpre indagar como Moscou interpreta a situação, em que se baseia a estratégia ocidental focada no uso de drones e por quais razões o processo atual poderia conduzir a um cenário negligenciado em ...

RÚSSIA APONTA SARMAT E ORESHNIK CONTRA LONDRES, PARIS E BERLIM

 Existem armas que transformam a natureza da guerra e há também aquelas que alteram profundamente a natureza da própria paz. O míssil Oresnik não se insere na categoria de armamento tático convencional, nem pode ser compreendido como um instrumento concebido para atuações diretas em trincheiras ou contra formações militares específicas. Trata-se, antes, de uma mensagem estratégica, concebida para comunicar poder e intenção em um nível superior. Essa mensagem assume forma hipersônica, possui capacidade de múltiplas cargas e desloca-se a velocidades que, no estado atual da tecnologia europeia de defesa antimísseis, não podem ser efetivamente interceptadas. Essa comunicação foi tornada pública e direcionada explicitamente às três principais potências europeias historicamente envolvidas na condução da diplomacia ocidental frente à Rússia, a saber, França, Reino Unido e Alemanha. O chamado E3 constitui o eixo central da arquitetura de segurança europeia. A sinalização produzida por essa...

FERROANEL

 O governo federal retomou a priorização de um projeto ferroviário estratégico para a logística nacional, com impacto direto na estrutura de exportação brasileira e no Porto de Santos.  Trata-se do Ferroanel de São Paulo, com investimento estimado em até R$ 6 bilhões, concebido para reduzir a concentração de cargas no principal terminal portuário do país e ampliar alternativas logísticas no Sudeste.  O projeto prevê a construção de pouco mais de 50 quilômetros de trilhos na região norte da capital paulista, formando um corredor ferroviário capaz de retirar trens de carga da malha urbana da Grande São Paulo, segregando o transporte de cargas do transporte de passageiros e aumentando a eficiência operacional da rede.  A iniciativa, debatida desde a década de 1960 sem execução, retorna à agenda como resposta à necessidade de expansão da capacidade logística e mitigação de gargalos estruturais. Atualmente, grande parte da produção agrícola e industrial do Centro-Oeste e ...

A HISTÓRIA APAGADA

 A HISTÓRIA APAGADA NO ORIENTE MÉDIO 1854 - A ARMADILHA DA DÍVIDA COMEÇA A história "apagada" começa não com uma bala, mas com um empréstimo. Em 1854, o Império Otomano contraiu seu primeiro empréstimo estrangeiro, junto aos mercados financeiros de Londres e Paris para financiar a Guerra da Crimeia (1853–1856). O que os sultões não perceberam foi que estavam entrando em uma "Armadilha de Dívida". A dependência de sucessivos empréstimos com juros altos e condições desfavoráveis levou o império ao calote (moratória) em 1875. Em 1875, o Império estava falido. Referências Bibliográficas: PAMUK, Şevket. A History of Ottoman Economic Relations with the Western World, 1820-1914. Cambridge University Press, 1987. Este livro detalha exatamente como os empréstimos estrangeiros iniciados em 1854 integraram o Império Otomano de forma subordinada à economia global ocidental.  BLAISDELL, Donald C. European Financial Control in the Ottoman Empire: A Study of the Establishment, Act...

A MISSAO ANGLO-SAXÔNICA (conforme Bill Ryan)

https://youtu.be/NYMB21aCAu0?is=gXtFXTX5DtKJ7zuT Trata-se do relato de um indivíduo que serviu no Exército Britânico por vários anos e que, após sua retirada da carreira militar, passou a atuar na City de Londres, ocupando um cargo de natureza respeitável no setor financeiro. A City de Londres, nesse contexto, corresponde a um enclave financeiro situado no centro da capital inglesa, caracterizado por autonomia histórica e reconhecida influência sobre o sistema financeiro internacional. Esse distrito é frequentemente descrito como uma entidade singular e altamente tradicional, sendo considerado por diversos analistas como um dos centros de articulação mais influentes do sistema financeiro global. Nesse ambiente, o indivíduo em questão participou de diversas reuniões com membros da maçonaria e outras figuras de relevância institucional, as quais, em geral, seguiam padrões convencionais de discussão econômica e financeira. Entretanto, em junho de 2005, ele esteve presente em um encontro c...

GUERRA DA ÁGUA

 Vamos falar das palavras de Donald Trump dizendo que vai atacar o Irã e levá-lo à Idade da Pedra, que vai destruir uma civilização. Bom, eu acho que Trump, um homem sem letras, um desiluminado, não sabe o que é civilização em termos filosóficos. Filosoficamente, o conceito de civilização remonta à Grécia Antiga e ao iluminismo europeu, contrastando o desenvolvimento cultural e institucional com o estado de barbárie. O Irã abriga a civilização persa, uma das mais antigas e contínuas da história humana, com mais de 5 mil anos de legado. ​Então, foi perguntado a Trump sobre atacar centrais de energia e pontes. O direito internacional humanitário, por meio dos Protocolos Adicionais às Convenções de Genebra, proíbe expressamente ataques a bens civis essenciais à sobrevivência da população, como infraestruturas de energia e transporte. ​Trump atacou as usinas de dessalinização no Irã, duas delas; é uma guerra de água, de matar populações civis de sede. O conceito de guerra pela água ou ...