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SEPARAÇÃO DO SUL (a partir de um artigo de Roberto Johannes Olivier Rodrigues)

 Durante uma conversa com moradores de algumas regiões da Amazônia, fui questionado sobre a possibilidade de uma aliança com o movimento separatista do sul do Brasil, sob o argumento de que tal união poderia auxiliar na descentralização do poder de Brasília e na retomada da autonomia estadual para a exploração de recursos naturais como petróleo, ouro, diamante e madeira. A resposta dada foi negativa. O movimento separatista sulista baseia suas expectativas na diplomacia e no debate superficial, carecendo do histórico de confronto necessário para sustentar uma ruptura dessa magnitude. Historicamente, conflitos ocorridos na região sul, como a Guerra dos Farrapos, foram travados por trabalhadores do interior, vaqueiros e minorias marginalizadas, enquanto as lideranças políticas conduziam as negociações em gabinetes. Atualmente, a tentativa de criar um novo Estado por meio de mobilizações virtuais ignora as leis da física e da economia real. Uma análise matemática e de dados demonstra ...

CITY

 A City de Londres não precisa mais de navios nem de canhões: basta-lhe decidir, por meio de algoritmos quânticos, quais objetos do mundo físico são autênticos e quais deixam de existir economicamente. No novo ordenamento que está surgindo, o poder supremo não pertencerá a quem fabrica microchips ou baterias de lítio, mas a quem certifica que esses microchips e baterias são realmente o que dizem ser. O colonialismo não desapareceu: mudou de forma. Agora já não extrai recursos do Sul Global, mas se prepara para certificar a autenticidade de tudo o que o Sul Global produzir. Por mais de quatro séculos, a City de Londres exerceu um domínio singular sobre a economia mundial sem necessidade de possuir diretamente os recursos nem os territórios que os geravam. Seu verdadeiro poder sempre residiu na capacidade de controlar o espaço intermediário onde se constrói a confiança: os seguros, os contratos, as cartas de crédito e a arbitragem comercial. Hoje, diante do deslocamento massivo da pr...

SIONISTAS E NAZISTAS, SEMPRE DE MÃOS DADAS

 A utilização de viagens patrocinadas para influenciar lideranças políticas, religiosas e intelectuais, com tudo pago para Israel, desperta revolta em mentes sãs. Afinal, que tipo de gente vai viajar para ajudar a fazer propaganda para o Estado sionista no meio do Holocausto palestino? A resposta é: nazistas. Os seus equivalentes de hoje e os dos anos trinta. Na década anterior à consolidação do Estado de Israel como ente independente em dezenove quarenta e oito, o movimento sionista já compreendia que conquistar influenciadores no exterior era tão importante quanto exterminar palestinos no processo. Uma política produzia a legitimidade, a outra executava o projeto. Um dos episódios mais conhecidos desse modus operandi ocorreu em dezenove trinta e três, quando o jornalista, escritor e oficial da SS chefe do Departamento de Assuntos Judaicos da Alemanha Leopold von Mildenstein visitou a Palestina ocupada pelos britânicos na iminência de se tornar Israel acompanhado do dirigente sion...

RAINHA VITORIA, A RAINHA DO ÓPIO

Stanislav Krapivnik é um ex-oficial do Exército dos EUA e especialista em cadeia de suprimentos, que se tornou analista militar e político. Nascido em Lugansk (Donbas), na Ucrânia soviética, ele se mudou para os Estados Unidos ainda criança. Ele serviu nas forças armadas americanas e, mais tarde, construiu uma carreira executiva na área de supply chain em setores como o de óleo, gás e engenharia pesada.Em 2010, Krapivnik retornou à Rússia, país onde reside atualmente. Ele é amplamente conhecido por atuar como comentarista, analista e jornalista na mídia russa e internacional, focando em temas como geopolítica, estratégia militar, o conflito na Ucrânia e as relações entre a Rússia e a OTAN   Tudo é ensinado como propaganda e ideologia. As crianças não gostam de história. Os adultos também não gostam porque vira só data e nome, data e nome. E ninguém se interessa, é chato.  Mas quando você faz o que está fazendo e começa a cavar, e vê a porcaria que está por baixo de tudo, é uma...

Dólar, SWIFT, sanções econômicas e inflação

O Acordo de Bretton Woods, firmado após o término da Segunda Guerra Mundial, estabeleceu as bases do sistema financeiro internacional do pós-guerra. Os Estados Unidos detinham a maior reserva de ouro do mundo e possuíam o parque industrial mais desenvolvido, uma vez que foram a única grande potência a sair do conflito sem destruição em seu território. A conversibilidade do dólar americano em ouro conferiu à moeda norte-americana o papel de principal reserva internacional e de referência para as transações comerciais mundiais. Dessa forma, o dólar transformou-se em um poderoso instrumento de dominação financeira. Com a criação do sistema internacional de liquidação de pagamentos, posteriormente operacionalizado pelo SWIFT, grande parte das transações internacionais passou a depender, direta ou indiretamente, da moeda norte-americana. Isso permitiu aos Estados Unidos utilizar sanções econômicas como instrumento de política externa contra governos, empresas e indivíduos considerados contr...

KARAGANOV ESTABELECE LINHAS VERMELHAS

A guerra na Ucrânia não está se desenvolvendo como Washington esperava. A razão pela qual quase ninguém menciona esse fato decorre do aprisionamento de analistas, jornalistas e membros do aparato político em uma narrativa oficial que os impede de informar com a devida objetividade. Quando se vive sob o domínio de uma narrativa, o ato mais perigoso consiste em questioná-la, sob o risco de perda de acesso, de credibilidade e de convites aos círculos decisórios. Desse modo, o relato oficial se perpetua enquanto se amplia o abismo entre os acontecimentos reais e o que é reportado, até que a realidade inevitavelmente se imponha. Quando a realidade finalmente emerge, raramente o faz de forma suave. O objetivo desta análise é reduzir essa distância e examinar a conjuntura factual em solo ucraniano. Cumpre indagar como Moscou interpreta a situação, em que se baseia a estratégia ocidental focada no uso de drones e por quais razões o processo atual poderia conduzir a um cenário negligenciado em ...

RÚSSIA APONTA SARMAT E ORESHNIK CONTRA LONDRES, PARIS E BERLIM

 Existem armas que transformam a natureza da guerra e há também aquelas que alteram profundamente a natureza da própria paz. O míssil Oresnik não se insere na categoria de armamento tático convencional, nem pode ser compreendido como um instrumento concebido para atuações diretas em trincheiras ou contra formações militares específicas. Trata-se, antes, de uma mensagem estratégica, concebida para comunicar poder e intenção em um nível superior. Essa mensagem assume forma hipersônica, possui capacidade de múltiplas cargas e desloca-se a velocidades que, no estado atual da tecnologia europeia de defesa antimísseis, não podem ser efetivamente interceptadas. Essa comunicação foi tornada pública e direcionada explicitamente às três principais potências europeias historicamente envolvidas na condução da diplomacia ocidental frente à Rússia, a saber, França, Reino Unido e Alemanha. O chamado E3 constitui o eixo central da arquitetura de segurança europeia. A sinalização produzida por essa...